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Forças armadas de Mianmar precisam ser responsabilizadas por violência contra as mulheres

26 Mar 2021

A ITF se juntou a 181 organizações globais de direitos das mulheres em um apelo ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) para que a junta militar de Mianmar seja responsabilizada.

Em uma carta aberta, as organizações chamaram a atenção para o histórico de violência das forças armadas de Mianmar contra diversas comunidades étnicas do país, incluindo violência sexual contra mulheres, e demonstraram receio de que o progresso dos direitos das mulheres seja perdido após o golpe de fevereiro.

A carta coincide com a 65ª Sessão da Comissão da ONU sobre o Estatuto da Mulher, em Nova York, cujo tema é a participação igualitária das mulheres na vida pública e na tomada de decisões e a eliminação da violência contra as mulheres.

As organizações imploraram que o CSNU imponha sanções econômicas direcionadas à liderança da junta e às empresas com relações com as forças armadas, além de um embargo global de armas. Também fizeram um apelo para que o CSNU adote uma resolução encaminhando a situação em Mianmar ao Tribunal Penal Internacional e envie um órgão de monitoramento e mediação ao país.

Em Mianmar, as forças armadas continuam violando a Carta das Nações Unidas e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. Desde o golpe, as forças armadas e as forças de segurança de Mianmar fizeram disparos indiscriminados de munição real contra manifestantes pacíficos, matando ao menos 21 mulheres, mais recentemente uma menina de 7 anos. As detenções arbitrárias e prisões de civis realizadas pela junta continuam aumentando, acompanhadas de denúncias de violência sexual e de gênero.

“Considerando o histórico dessas forças armadas de usar a violência sexual como arma de guerra, receamos que o progresso do país na melhoria da condição das mulheres esteja em uma situação de risco sem precedentes”, afirmam as organizações.

Em fevereiro, a ITF e mais nove sindicatos globais fizeram um apelo aos sindicatos do mundo todo para que aumentem a pressão sobre governos e empresas a fim de isolar a junta militar de Mianmar.