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Sindicatos globais aumentam a pressão sobre os governos e empresas para isolar a junta militar de Mianmar

10 Feb 2021
Declaração Conjunta dos Sindicatos Globais

Dez Sindicatos Globais representando mais de 200 milhões de trabalhadores em todo o mundo clamam aos sindicatos que aumentem a pressão em nível mundial sobre os governos e empresas para atacar os interesses comerciais da junta militar de Mianmar.

Pedimos aos sindicatos e trabalhadores de todo o mundo que se organizem, se unam e defendam o povo de Mianmar e isolem o chefe das forças armadas, General Min Aung Hlaing, e os outros líderes militares responsáveis pelo golpe.

Em linha com a promessa dos Sindicatos Globais de confrontar forças mundiais que atuem contra os interesses dos trabalhadores, hoje, os líderes do movimento sindical global:

  • Solicitam ao Conselho de Segurança da ONU que imponha sanções contra os líderes militares responsáveis pelo golpe. As sanções também devem almejar o capital econômico que fornece renda aos militares.
  • Solicitam ao Conselho de Segurança da ONU que imponha um embargo de armas a Mianmar;
  • Solicitam à União Europeia que cancele o tratamento preferencial comercial “Tudo, menos Armas” (EBA) de Mianmar;
  • Solicitam às empresas internacionais que operam em Mianmar que ponham fim a qualquer relacionamento comercial direto ou indireto ou laços financeiros com empresas de propriedade de militares (detalhes podem ser vistos no Relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre os interesses econômicos das forças armadas de Mianmar) e usem seu poder de barganha para garantir a liberação dos detidos, restaurar as instituições democráticas e garantir os direitos humanos e trabalhistas de todos os trabalhadores de Mianmar. Isso deve incluir o apoio de empresas internacionais aos trabalhadores onde as operações estão restritas, incluindo proteção aos trabalhadores que protestam contra o golpe.

Clamamos aos nossos sindicatos afiliados em todo o mundo que apoiem as medidas descritas acima e:

  • Exerçam pressão sobre seus governos nacionais para exigir que as forças armadas de Mianmar rescindam o estado de emergência, liberando imediatamente todas as figuras políticas e ativistas, defendam o direito do povo de Mianmar de escolher seus líderes e removam as restrições à liberdade de expressão, de reunião e de associação.
  • Solicitem a todas as empresas com as quais tenham relacionamentos, que operam ou investem em Mianmar, que rompam seus laços comerciais com as forças armadas de Mianmar e usem seu poder de barganha para garantir a liberação dos detidos, restaurar as instituições democráticas e garantir os direitos humanos e trabalhistas de todos os trabalhadores de Mianmar. Isso deve incluir o apoio de empresas internacionais aos trabalhadores onde as operações estão restritas, incluindo proteção aos trabalhadores que protestam contra o golpe.

Sharan Burrow, secretária-geral da Confederação Sindical Internacional, disse que os sindicatos estão chocados com a tomada do poder pelas forças armadas em Mianmar e farão tudo o que estiver em seu poder para impedir o êxito do golpe.

“Para o povo de Mianmar esta é uma hora extremamente ameaçadora, já que as forças armadas tentam mudar as regras no local. Demonstramos solidariedade com o povo de Mianmar e homenageamos aqueles trabalhadores corajosos que atuam para defender sua frágil democracia e rejeitar a tomada do poder pelas forças armadas. O movimento sindical global lutará para liberar aqueles que foram detidos e pôr fim à violência e assédio ao povo. Os autores do golpe devem ser isolados”, disse Burrow.

Stephen Cotton, secretário-geral da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes, disse que agora é hora de o movimento sindical global ficar ao lado dos trabalhadores de Mianmar que continuam a protestar em todo o país, rebelando-se contra o golpe e as tentativas de reprimir a dissidência por meio de apagões à Internet.

“Na esteira do golpe militar devemos nos unir e aumentar a pressão sobre o Conselho de Segurança da ONU, governos e empresas de todo o mundo para impor sanções, atacar e isolar o regime militar até garantirmos a liberação incondicional de todos os detidos, o levantamento do estado de emergência e o retorno ao governo civil”, disse Cotton.

Os Sindicatos Globais que assinam esta declaração conjunta são: