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Declaração sobre a Uber e o futuro da economia de trabalho temporário

Notícias Comunicado à imprensa

Declaração de Stephen Cotton, secretário-geral da ITF:

“O anúncio da Uber na terça-feira de que classificaria os motoristas britânicos como ‘trabalhadores’ é um divisor de águas na luta internacional por direitos na era da uberização do trabalho.

Em uma reviravolta que só se tornou possível graças a anos de organização e ações coletivas e judiciais por parte dos trabalhadores, os motoristas da Uber do Reino Unido agora terão direito a melhores remuneração e benefícios. Isso é uma prova do poder das ações coletivas. Quando os trabalhadores se unem, conseguem criar mudanças positivas para todos. A Uber, por sua vez, finalmente começou a perceber que seu negócio não pode continuar funcionando a menos que assegure aos trabalhadores os direitos que merecem. A Uber precisa cumprir todas as decisões da Suprema Corte que abriram caminho para essas mudanças.

Agora outras plataformas que contratam trabalhadores informais são pressionadas a seguir o exemplo. A organização dos trabalhadores já resultou em várias conquistas recentes, como na Holanda, Espanha, Itália e Austrália. Mas a Deliveroo, empresa aclamada como uma “grande história de sucesso britânica”, vai ficando cada vez mais para trás. Enquanto empresas rivais como a Foodora, a Just Eat e a HungryPanda concedem mais direitos e respeito aos entregadores, a Deliveroo se recusa terminantemente a assumir esse compromisso. A empresa fez uma campanha de conquista em curto prazo que coincide com sua oferta pública inicial, mas não demonstra nenhum indício de que vai oferecer salário mínimo, férias ou auxílio-doença, pôr fim às demissões injustas ou resolver a questão das condições de trabalho perigosas.

Agora é a hora de todas as empresas de trabalho em plataforma darem ouvidos aos trabalhadores e garantirem que todos da era da uberização do trabalho tenham direitos e proteções iguais perante a lei, além de dignidade. Com o recente revés, a própria Uber acabou com o mito mais persistente da Deliveroo de que flexibilidade seria incompatível com mais direitos. Os investidores devem prestar muita atenção: empresas como a Deliveroo podem continuar com políticas extremamente retrógradas, que lembram a fétida exploração do século XIX, ou fazer uma leitura da situação atual e corrigir seus modelos de negócios predatórios de uma vez por todas.”

 

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