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TUI Cruises inicia repatriação de marítimos com ajuda dos sindicatos e do governo da Alemanha

21 May 2020
Começaram as repatriações dos tripulantes do navio Mein Schiff 3, da TUI Cruises, em voos fretados da Alemanha com ajuda dos sindicatos de marítimos filiados à Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF), do governo alemão e da missão dos marítimos na Alemanha.

Após o desembarque dos passageiros do navio de cruzeiro Mein Schiff 3, no dia 23 de março, a empresa transferiu marítimos de vários de seus outros navios para o Mein Schiff 3, que navegou para o porto alemão de Cuxhaven para dar início às repatriações. O navio atracou em Cuxhaven em 28 de abril; entretanto, em 30 de abril foi detectado um surto de Covid-19 a bordo, levando a empresa a colocar em quarentena todas as pessoas do navio.

Após semanas de intensas discussões com a empresa, Maya Schwiegershausen-Güth, do sindicato ver.di, filiado à ITF na Alemanha, com a ajuda do Inspetor alemão da ITF Hamani Amadou, na sexta-feira, 8 de maio, finalmente conseguiu ajudar a repatriar em torno de 1.200 dos 2.900 marítimos.

“Tem sido extremamente frustrante e revoltante que nem a empresa, nem o estado da bandeira tenha levado a sério suas responsabilidades. Os marítimos estão desesperados para voltar para casa e eles têm esse direito. Felizmente, o governo alemão deu apoio durante todo o tempo, sem a assistência deles e a ajuda da missão, a situação a bordo poderia ter se agravado rapidamente”, disse Schwiegershausen-Güth.

Quinze tripulantes que apresentaram sintomas de Covid-19 foram testados e nove tiveram resultado positivo. Os marítimos infectados foram colocados em quarentena, mas, infelizmente, devido à falta de uma estratégia clara da empresa para a pandemia antes de transferir mais de 3.000 marítimos de seis navios diferentes para o Mein Schiff 3, a tripulação foi desnecessariamente exposta à pandemia, o que causou muita ansiedade para os marítimos.

A ITF confirmou que os voos fretados repatriaram tripulantes ucranianos (168 marítimos), indonésios (738 marítimos), turcos, tunisianos, mauricianos e chineses. Mais voos fretados estão programados para a próxima semana para cerca de 1.200 marítimos das Filipinas, Nicarágua e Honduras. Infelizmente, 192 marítimos indianos permaneceram a bordo sem nenhuma previsão de data de viagem e sem muito apoio do governo indiano.

O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Marítimos da Ucrânia (MTWTU), filiado à ITF, deu as boas‑vindas a seus membros no Aeroporto Internacional Kiev Boryspil, na sexta-feira.

O primeiro vice-presidente do MTWTU, Oleg Grygoriuk, disse hoje à ITF: “Todos os marítimos repatriados que testaram negativo para Covid-19 estão agora em casa, o que é um enorme alívio para todos os nossos membros e suas famílias. Trabalhamos junto à empresa para garantir o trânsito seguro dos tripulantes de Cuxhaven para Odessa, e junto ao governo ucraniano para garantir que não seriam forçados a ficar em quarentena em centros de saúde ao voltarem para casa.”

“Todos os marítimos que voltaram da Alemanha foram aconselhados a usar o aplicativo ‘Act at Home’ e foram autorizados a ficar em isolamento em casa, durante o período de observação. Continuaremos a manter contato com eles”, acrescentou.

A coordenadora marítima da ITF, Jacqueline Smith, parabenizou o governo alemão, os filiados da ITF ver.di e MTWTU, a missão dos marítimos na Alemanha e o inspetor da ITF pela sua cooperação ao facilitar esta primeira onda de repatriações.

“A ITF e nossos filiados agradecem a todos os envolvidos que ajudaram a levar a tripulação do Mein Schiff 3 para casa. Temos trabalhado junto com as agências da ONU e a indústria na criação de um guia para que os governos possam facilitar o movimento seguro dos marítimos e conceder isenção imediata de restrições nacionais de Covid-19 para os marítimos, na qualidade ‘trabalhadores essenciais’, para que as repatriações e trocas de tripulação possam acontecer”, disse Smith.

Neste caso, o compromisso e a coordenação entre o governo alemão, a missão dos marítimos e os sindicatos marítimos é um exemplo importante para os governos e a indústria, em todo o mundo, de que isso pode ser feito, além de enfatizar como as empresas e estados da bandeira precisam ser mais responsáveis por seus marítimos e tratá-los com o respeito básico que eles merecem.

“A triste notícia, nas duas últimas semanas, de tripulantes que tiraram suas próprias vidas enquanto aguardavam a volta para casa destaca o quanto ter certeza é importante para dezenas de milhares de marítimos que aguardam repatriação. Clamamos aos governos em todo o mundo que sigam o exemplo da Alemanha e tomem providências imediatas para levar os marítimos para casa”, disse Smith.

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