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A indústria de cruzeiros e os sindicatos levam a maioria dos trabalhadores para casa, mas tempos difíceis estão à frente

07 Aug 2020
Comunicado à imprensa

Enquanto a indústria global de cruzeiros e os sindicatos de marítimos terminam de concluir a repatriação de quase 250.000 marítimos, a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) avisa que a indústria e sua força de trabalho terão tempos difíceis à frente.

A ITF e seus sindicatos afiliados representam grande parte da força de trabalho dos navios de cruzeiro em todo o mundo. A federação e os sindicatos têm apoiado ativamente o retorno de dezenas de milhares de marítimos em todas as categorias, desde catering, hospitalidade e animadores até tripulantes de convés e máquinas, que foram abandonados a bordo de embarcações de cruzeiro em todo o mundo, enquanto somos atingidos pela Covid-19 e os governos fecham suas fronteiras.

Dave Heindel, presidente da Seção dos Marítimos da ITF, disse que a pandemia mostrou o melhor e o pior da humanidade.

“De um lado, vimos governos vergonhosamente fechando suas portas aos marítimos, como estados do porto, países de trânsito e os mesmo países de origem dos marítimos, quando, na verdade, deveriam ter feito tudo em seu alcance a fim de levar para casa os marítimos em navios de carga e de cruzeiros. Por outro lado, esta pandemia tem mostrado o melhor dos sindicatos e de muitos empregadores que fizeram o possível por esses marítimos em circunstâncias realmente difíceis," disse Dave Heindel.

"Só temos respeito e admiração por esses marítimos. São pessoas que simplesmente foram trabalhar e encontraram-se presos a bordo, o que alguns marítimos chamam de suas “prisões flutuantes”, incapazes de desembarcar mesmo para uma caminhada. Agradecemos aos marítimos por sua paciência e coragem durante esse momento extremamente difícil. Alguns marítimos ficaram consternados com a situação e outros tiraram a própria vida tragicamente por desespero. “Estamos profundamente tristes com esses eventos e, embora a maioria de nós nunca tenha passado por uma situação como a deles, sentimos muito por eles e suas famílias. Os marítimos merecem a solidariedade e o respeito do público pelo que enfrentaram durante esta pandemia.”

“É difícil mensurar a grandeza da operação necessária para levar para casa quase 250.000 marítimos dos navios de cruzeiro espalhados pelo mundo. A família ITF de sindicatos marítimos tem trabalhado sem parar desde março para coordenar vistos, voos e isenções de viagem para os marítimos voltarem para casa e para suas famílias.”

“Embora seja um resultado fantástico na indústria de cruzeiros, precisamos lembrar que cerca de 300.000 marítimos ainda permanecem presos a bordo de embarcações de carga, trabalhando além de seus contratos, alguns já há 16 meses.  Bem mais do que os 8-9 meses esperados. Este número está crescendo dia a dia. A resposta é simples: os governos têm que fazer isenções práticas às restrições de viagens e trânsito dos marítimos para que possamos ver o retorno das trocas de tripulação funcionais. É fundamental tirarmos essas centenas de milhares de marítimos de seus navios após a expiração de seus contratos, como fizemos na indústria dos cruzeiros,” disse Dave Heindel.

Johan Øyen, presidente da Força Tarefa dos Navios de Cruzeiro da ITF, disse que os esforços combinados representam um grande sucesso humanitário.

“Louvamos as linhas de cruzeiro e os governos que trabalharam com as linhas de cruzeiro para conseguir a repatriação de quase um quarto de milhão de marítimos desses navios. Isso exigiu uma coordenação logística tremenda”, disse Johan Øyen.

“Tivemos esse sucesso apesar dos governos, incluindo estados da bandeira e do porto, que não cumpriram com suas obrigações jurídicas e de direitos humanos consoante a lei internacional. A recusa dos estados em permitir o desembarque dos marítimos para voltarem para casa, não foi só moralmente errada, mas foi também ilegal.  Examinaremos que tipos de mecanismos de imposição são necessários para impedir que os estados se esquivem de suas responsabilidades no futuro”, disse Johan Øyen.

“Apesar dos desafios, a maioria da indústria de cruzeiros trabalhou para conseguir esse resultado. A ITF e seus sindicatos afiliados esperam trabalhar em cooperação com a indústria para garantir que os planos de recuperação e o recomeço das operações coincidam com uma conversa aberta sobre como melhorar as condições de trabalho e de vida dos marítimos a bordo.”

Øyen disse que a ITF está preocupada com a notícia da ocorrência de vários surtos recentes de Covid em navios de cruzeiro, embora acredite-se que, pelo menos um desses surtos, só tenha ocorrido porque procedimentos importantes não foram seguidos antes da viagem.

“Os cruzeiros só devem acontecer novamente quando medidas adequadas de saúde e segurança existirem e forem seguidas, e quando os países do local dos cruzeiros comprometerem-se a permitir que os marítimos desembarquem e embarquem para assistência médica e trocas de tripulação, conforme necessário. As linhas de cruzeiros precisam aprender com os erros que muitas delas cometeram no início desta pandemia para garantir ambientes de trabalho seguros para os marítimos.”

“Esperamos que a comunidade global observe o sofrimento dos marítimos deixados a bordo por meses aguardando para ir para casa e paguem os devidos respeitos a esses marítimos. Eles são heróis desta pandemia”, disse Johan Øyen.