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Presidente da Ryanair está fraco mas permanence no posto

07 Nov 2018
Comunicado à imprensa
O presidente da Ryanair, David Bonderman, foi reeleito na Assembleia Geral Anual da empresa, embora sua posição na empresa pareça cada vez mais insustentável.

Hoje, 20 de setembro, o Sr. Bonderman enfrentou sua mais contestada eleição como presidente da Ryanair, com 29.5% dos acionistas votando contra ele ou se abstendo, comparado a 12.5% em 2017. Com base nestes resultados, o Sr. Bonderman é agora o menos popular presidente ISEQ20, ficando à frente até de Martin Keane, da Glanbia, em termos de oposição de acionistas à sua reeleição. O nível de oposição ao Sr. Bonderman foi mais de 10 vezes superior à média dos presidentes de empresas irlandesas em 2018.

No começo do mês, a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) e a Federação Europeia dos Trabalhadores em Transportes (ETF) escreveu aos acionistas da Ryanair pedindo-lhes para votar contra a reeleição do Sr. Bonderman como presidente. ITF e ETF tiveram a adesão das empresas de assessoramento de acionistas Glass Lewis, ISS e PIRC, todos elas seriamente preocupadas com o modelo de governança corporativa da Ryanair.

Subsequentemente, importantes investidores institucionais, incluindo o Fórum do Fundo de Pensão da Autoridade Local (LAPFF), do Reino Unido, e o Sistema de Aposentadoria dos Servidores Públicos da Califórnia (CalPERS) e o Sistema de Aposentadoria dos Professores Estaduais (CalSTRS) anunciaram o seu voto contra a reeleição do Sr. Bonderman.

Ainda que o Sr. Bonderman tenha garantido suficientes votos para permanecer no conselho, sua posição parece crescentemente insustentável. Após 22 anos como presidente, não há nada que se assemelhe a um questionamento independente no nível da mesa do conselho, um problema já salientado em ampla cobertura jornalística nos dias que antecederam a AGA.

A decisão da Ryanair de banir a mídia da AGA deste ano demonstra a atmosfera de incerteza que circunda a atual liderança. Nesta que foi a mais controversa AGA em anos, mais uma vez postergou-se o enfrentamento dos problemas fundamentais pertinentes ao modelo de negócio da empresa.

Enquanto isso, as reivindicações dos funcionários da Ryanair – como pagamento de todas as horas trabalhadas e o fim do emprego de longo prazo via agências – continuam ignoradas. As tripulações de cabine de cinco países marcaram sexta-feira, 28 de setembro, como seu próximo dia de greve, considerando que a empresa continua resistindo a fazer mudanças concretas.

Stephen Cotton, Secretário Geral da ITF, disse: “Pode ser que o Sr. Bonderman ainda ocupe o cargo, mas sua credibilidade como presidente está muito comprometida. Não se pode continuar com o “de costume” após ter a liderança submetida a tanta crítica”.

“Mais do que isso, a Ryanair perdeu a oportunidade de mudar o seu modelo de governança corporativa. É difícil ver como a situação da empresa pode se tornar mais estável, se tem uma gestão que não assume responsabilidades e não recebe questionamento independente no nível do conselho”.

Eduardo Chagas, Secretário Geral da ETF, disse: “A volta do Sr. Bonderman à sala do conselho da Ryanair não é um bom augúrio para as relações trabalhistas da empresa. Todos esperávamos um sinal de que a empresa fosse mudar de direção. O sinal não veio”.

“Na semana passada mesmo, a Ryanair respondeu à criação de um novo sindicato da tripulação de cabine polonesa tentando o seu fechamento e a submissão dos trabalhadores a contratos de trabalho autônomo. Essas não são ações dignas de uma empresa madura e a responsabilidade por isso, em definitivo, cabe à alta diretoria”.

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