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Greve na Coreia do Sul fecha transporte rodoviário de carga enquanto se intensifica a luta por Tarifas Seguras

03 Dec 2021

O transporte rodoviário de carga foi seriamente afetado na Coreia do Sul na semana passada durante a greve dos caminhoneiros em todo o país. A greve durou três dias, de 25 a 27 de novembro, e foi convocada pelo KPTU-TruckSol, a Divisão de Solidariedade aos Motoristas de Carga do Sindicato Coreano dos Trabalhadores do Transporte Público e do Serviço Público.

O sindicato está pressionando o governo para prolongar e fortalecer o sistema de Tarifas Seguras na Coreia do Sul que, apesar da oposição, está programado para acabar no fim de 2022. O Tarifas Seguras define as tarifas mínimas de remuneração e condições de trabalho relacionadas aos condutores proprietários de caminhões em todo o setor de transporte rodoviário.

O impacto foi sentido em todo o país
A greve aconteceu em escala nacional, com milhares de trabalhadores reunidos nos principais portos, armazéns de contêineres e locais de produção e distribuição em todo o país. Em muitas localidades, os condutores usaram seus veículos e corpos para obstruir as ruas de acesso a portos e outras instalações, fechando completamente as rotas de transporte. O impacto da greve foi amplificado pela participação de membros de fora do sindicato, especialmente dos setores de transporte de cimento a granel e contêineres que se beneficiam do sistema de Tarifas Seguras. De acordo com o TruckSol em geral os volumes de transporte rodoviário de carga caíram aproximadamente 20% durante os três dias de greve.

“O poder executivo e o legislativo devem se manifestar.”
Em 27 de novembro, cerca de 8.000 caminhoneiros reuniram-se diante da Assembleia Nacional em Seul, capital da Coreia do Sul. Os manifestantes fecharam a rua e fizeram sua manifestação de greve apesar da autorização ter sido negada pelas autoridades, resultando em um enfrentamento com milhares de policiais.

Dirigindo-se à multidão, o presidente do KPTU-TruckSol, Bogju Lee, clamou ao governo de Moon Jae-in e aos legisladores que se manifestem e aprovem novas leis que fortaleçam os direitos dos motoristas e tornem permanente o Tarifas Seguras. “Há tantas pessoas que não são membros participando desta greve porque nossas reivindicações por reformas na lei representam o grito desesperado de todos os caminhoneiros”, disse Bogju Lee.

“Esta greve é sobre segurança nas estradas e sobre segurança dos passageiros. Nos últimos dois dias, temos demonstrado nossa capacidade de paralisar completamente o país se o governo não ouvir as nossas reivindicações e nos forçar a entrar em greve novamente”, acrescentou ele.

O KPTU-TruckSol prometeu greve por tempo indeterminado se suas reivindicações não forem atendidas.

Uma só voz para os trabalhadores
Em Seul, os caminhoneiros tiveram apoio de milhares de outros membros do KPTU de toda a indústria do transporte, setor público e serviços sociais em uma mobilização em massa pelos serviços públicos e pelos direitos dos trabalhadores.

Dirigindo-se a uma multidão de 20.000 pessoas, a Presidente Jeong-hui Hyun disse: “O objetivo desta mobilização é demonstrar que serviços públicos de qualidade e direitos trabalhistas são essenciais em tempos de Covid-19. Enquanto a pandemia se arrasta, os Coreanos estão pedindo ao governo que seja mais ativo e fortaleça as proteções sociais, mas o governo só tem cortado os fundos de apoio aos trabalhadores essenciais, saúde pública, transporte público e outros serviços públicos.”

Mencionando a eleição presidencial coreana marcada para março de 2022, ela acrescentou que “Nenhum dos candidatos à presidência apresentou uma solução concreta para a desigualdade. Os trabalhadores têm a resposta – serviços públicos de qualidade e direitos trabalhistas – e devem se tornar uma força política para consegui-los.”  

Em uma mensagem de solidariedade enviada para os membros do KPTU antes da mobilização, o secretário-geral da ITF, Stephen Cotton, confirmou a importância global das reivindicações dos condutores para os trabalhadores em transportes do mundo inteiro.

“Esta mobilização em massa é um desafio para os governos que, ao longo de toda a pandemia, ao invés de respeitar o trabalho dos trabalhadores em transportes na cadeia de suprimentos global, estão começando a reprimir direitos sindicais fundamentais. Queremos mais respeito pelos trabalhadores que têm mantido nossas sociedades em movimento durante a pandemia. Precisamos de mais transporte público limpo e mais apoio dos governos. É crítico que tenhamos que lutar lado a lado contra governos determinados a tirar dinheiro dos sistemas públicos que protegem a nossa sociedade”, disse Cotton.