Ir para o conteúdo principal

“Grandes lucros trazem grandes responsabilidades”: sindicatos pressionam a Maersk na assembleia geral em Copenhagen por violações trabalhistas

05 Apr 2023
Comunicado à imprensa

28 de março de 2023, Copenhagen

Sindicatos representando empregados da maior empresa de navegação do mundo listada na bolsa estão hoje em Copenhagen para entregar a mensagem dos trabalhadores diretamente na sede da Maersk enquanto a empresa registra um lucro recorde de US$29 bilhões.

Sindicatos de vários países, como os Países Baixos, Estados Unidos e Austrália, apresentarão sua avaliação do desempenho do Grupo Maersk nas principais questões trabalhistas em todas as operações da empresa dos últimos 12 meses, incluindo:

  • Nove trabalhadores e contratados da Maersk morreram no trabalho em 2022
  • A tentativa da divisão de rebocadores Svitzer da Maersk de cortar o salário dos trabalhadores em 47% na Austrália
  • A Svitzer está também enfraquecendo os salários e condições na Argentina através de terceirização
  • A Maersk está violando seus próprios valores ao se recusar em negociar coletivamente com os sindicatos
  • A Maersk reduziu o uso da palavra “sindicato” em seu Relatório Anual de 2023
  • Pesquisadores recentemente descobriram que a Maersk paga uma alíquota fiscal muito inferior a de seus trabalhadores

“Ao recusar a negociação coletiva com os sindicatos, a Maersk está violando seus próprios valores, segundo os quais a empresa se compromete a defender este importante direito humano e trabalhista”, disse Jacqueline Smith, coordenadora marítima da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF). A ITF é uma federação sindical de trabalhadores em transportes que representa empregados e contratados da Maersk. Eles são marítimos, portuários, trabalhadores de rebocadores e empurradores, e de logística.

“Continuamos preocupados que a Maersk permita que gerentes nos países onde opera, como aqueles responsáveis pela Svitzer Australia e Svitzer Argentina, ridicularizem os valores da Maersk. Não se pode ter um conjunto de valores na hora de comercializar uma marca como progressista em questões trabalhistas e de mudanças climáticas na Europa e definir outros valores na hora de tratar os trabalhadores do outro lado do mundo. Os clientes, assim como os sindicatos, esperam consistência nos negócios como um todo.”

A assembleia geral anual da empresa este ano será somente remota, com a desculpa de que a empresa de 40 bilhões de dólares não conseguiu organizar uma reunião presencial em meio a sua restruturação interna. Consequentemente, os sindicatos estão sendo convidados pela administração da Maersk a entregar suas preocupações por escrito para a empresa, em vez de fazer sua declaração trabalhista, como aconteceu nos anos anteriores.

A coordenadora da ITF para a rede da Maersk, Kulsoom Jafri, disse que os sindicatos esperam mais consistência de AP Moller – Maersk do que aquela que vimos no ano passado por parte da Maersk e suas subsidiárias.

“Mesmo a empresa tendo mudado sua AGM deste ano para o formato online e impedido os acionistas, incluindo sindicatos detentores de ações, de falarem sobre suas preocupações normalmente, nós viemos a Copenhagen entregar nossa mensagem pessoalmente”, disse ela.

“A Maersk precisa saber que em tempos bons e ruins, a voz dos trabalhadores é constante. Estaremos sempre aqui como um amigo crítico: responsabilizando-a por seu desempenho e conduta com os trabalhadores que mantêm suas cadeias de suprimentos em movimento”, disse Smith.

Os dinamarqueses esperam uma abordagem de direitos consistente

Karsten Kristensen, presidente da rede sindical da Maersk da ITF e presidente adjunto do Grupo de Transporte do sindicato dinamarquês 3F, disse que os acionistas e o público no país de origem da Maersk esperavam que a emblemática empresa dividisse o sucesso com seus trabalhadores e entre toda a comunidade.

“A AGM de hoje revela de forma clara que o Grupo Maersk faturou 29 bilhões de dólares no ano passado. É uma enorme quantidade de dinheiro. Esse sucesso precisa ser um sucesso compartilhado, tanto com seus trabalhadores como com a sociedade”, disse Kristensen. 

Presidente da rede sindical da ITF para a Maersk e presidente adjunto do Grupo de Transporte do sindicato dinamarquês 3F, Karsten Kristensen. Ele disse que uma única morte já é demais, mesmo assim nove trabalhadores e subcontratados da Maersk morreram em 2022.

“Grandes lucros trazem grandes responsabilidades. Esta é uma época de vacas gordas e a Maersk não tem desculpa a não ser honrar seus valores em todos os cantos do planeta. Na Dinamarca e no exterior.”

Os comentários de Kristensen foram feitos à luz da recente notícia de que a empresa paga uma alíquota fiscal inferior a de seus trabalhadores em muitos dos países onde opera, inclusive na Dinamarca. Uma pesquisa do centro de transparência fiscal CICTAR descobriu que um trabalhador que ganha uma renda média na Dinamarca paga 13 vezes a alíquota de imposto paga pela Maersk.

“Por mais um ano, ficamos consternados ao ouvir de nossos colegas australianos que a administração da Svitzer Australia continua a fazer a lei para si mesma, cometendo os ataques mais inaceitáveis à negociação coletiva – todos em nome da ‘Maersk’.”

O secretário nacional adjunto do MUA, Jamie Newlyn, esteve em Copenhagen como parte da Rede da ITF para a Maersk. A Svitzer, de propriedade da Maersk, aumentou os salários dos empregados no Reino Unido, mas, mais para o sul a empresa ainda está tentando rescindir o acordo coletivo do local de trabalho do qual dependem o MUA e outros trabalhadores de rebocadores na Austrália.

Agora, mais do que nunca, a Maersk precisa ouvir os trabalhadores

“Como a Svitzer, divisão de rebocadores e empurradores da Maersk, pode negociar um aumento salarial justo de mais de 10% com seus trabalhadores no Reino Unido, mas na Austrália estão tentando acabar completamente com o acordo coletivo de longa data de sua força de trabalho?” perguntou Kulsoom Jafri, coordenadora da rede da ITF para a Maersk e líder de campanhas marítimas.

“A consequência disso seria empurrar esses trabalhadores, heróis da pandemia, para o mínimo legal de compensação – safando-se com um número mínimo de tripulantes e arriscando vidas.”

“Com o futuro incerto do setor de navegação, agora, mais do que nunca, a Maersk precisa ouvir a voz dos trabalhadores quando apontamos preocupações.”

“A empresa comprou bilhões em ativos, adquirindo empresas em setores onde seus gerentes têm muito menos conhecimento do que a força de trabalho. Viemos a Copenhagen este ano, como todos os anos, porque as dezenas de milhares de empregados da Maersk falam por nós. E pedimos consistência por parte da AP Moller Maersk”, disse Jafri.
 

Sobre a ITF: A Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) é uma federação democrática e liderada por afiliados de sindicatos de trabalhadores em transportes reconhecida como a autoridade em transportes líder no mundo. Lutamos apaixonadamente para melhorar a vida profissional; conectando redes de sindicatos e trabalhadores de 147 países para assegurar direitos, igualdade e justiça para seus membros. Somos a voz de quase 20 milhões de mulheres e homens que movem o mundo.