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XPO: Mortes de trabalhadores e riscos à segurança caracterizam a resposta da empresa à pandemia

15 May 2020
Comunicado à imprensa
Pelo menos seis trabalhadores da gigante da logística XPO morreram após contrair a Covid-19.

As mortes confirmadas foram de trabalhadores empregados nas operações da XPO em França, Itália, Grã-Bretanha e Holanda. Ainda que não se tenha confirmado se os seis indivíduos contraíram o vírus no local de trabalho, todos os trabalhadores essências enfrentam um maior risco de vida e saúde durante a atual pandemia. Os empregadores de trabalhadores essenciais têm aumentada a sua obrigação de cuidar deles neste momento.

Neste contexto, os trabalhadores e as autoridades sindicais apresentaram evidência aos investidores da empresa do contínuo fracasso da XPO em proteger sua mão de obra durante a pandemia de Covid-19. Os investidores estão sendo conclamados a votar a favor de reformas de governança corporativa muito necessárias na reunião geral anual que está por vir, ao passo que sindicatos estão reivindicando um Fórum Mundial de Saúde e Segurança Ocupacional para prevenir mais mortes.
 

Preocupações levantadas em muitos países

Em 19 de março, uma semana após a Organização Mundial da Saúde ter declarado a pandemia, o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado na XPO da França. Os trabalhadores deixaram seus postos de trabalho no mesmo dia, de 07:00 às 12:00, hora local, para pressionar a XPO para que implementasse o distanciamento social e fornecesse o necessário equipamento de proteção individual (EPI).

O funcionário francês da XPO David Mondesir disse: “Eu mesmo tive que sair para comprar minhas próprias luvas e toalhinhas, sendo melhor esquecer das máscaras porque não havia nenhuma. Fomos lá e conseguimos equipamento de proteção extra onde o achamos e fizemos a sua distribuição entre os nossos colegas.”

Se é verdade que a XPO terminou concordando com as reivindicações dos empregados quanto à segurança e terminou adotando novas medidas, para alguns elas chegaram tarde demais. “Uma colega que trabalhou 17 nos comigo agora está morta. Ela tinha dois filhos que agora ficaram sem mãe. Essa foi uma morte que nos afetou muito e ainda estamos preocupados.”

Nos EUA, a classificação errônea de empregos tem feito os trabalhadores terceirizados ficarem ainda menos protegidos durante a pandemia. Sem acesso a direitos fundamentais, incluindo licença médica remunerada e seguro de saúde, o trabalhador americano Jose Rodriguez descreveu sua escolha quanto a ir ou não ao local de trabalho como a escolha entre “botar comida na mesa ou pagar contas médicas”.

Na Grã-Bretanha, o representante do GMB Mick Rix descreveu a falta de proteção no acesso a uma instalação da XPO como uma “confusão alarmante”. Um trabalhador que solicitou EPI recebeu do gerente a pergunta sobre “por que não sair e comprar o seu?” O GMB reivindica o fechamento de um local e que a empresa faça uma profunda limpeza nele.

Trabalhadores de outros países também manifestaram profunda preocupação com a resposta da XPO à Covid-19. Na Espanha,  sindicatos salientaram a falta de distanciamento social em armazéns. Um empregado espanhol da XPO disse aos investidores: “Há muitas situações em que pode haver contágio. Os empregados têm a sensação de que a empresa não está cuidando deles e estão nervosos.”

Enquanto isso, na Suíça, a XPO demitiu 40 trabalhadores de armazém e se recusou a negociar com o sindicato um “plano social” para ajudar em caso de demissões, conforme a lei estabelece. Isso a despeito de a empresa ter levantado US$ 850 milhões mediante emissão de dívida para manter-se acima da água durante a crise.
 

Resposta internacional necessária

A rede global de sindicatos da XPO escreveu à empresa antes de sua reunião anual, fazendo uma série de reivindicações para melhorar substancialmente a sua resposta à pandemia.  O mais importante é que a XPO faça um Fórum Global de Saúde e Segurança Ocupacional com os representantes dos trabalhadores de cada país de operação para estruturar uma proteção forte e mais além das fronteiras.

O secretário de transporte interior da ITF, Noel Coard, reivindicou que a XPO fizesse mais pelos seus empregados. “É muito triste saber da morte de trabalhadores. Como todo empregador, a XPO tem responsabilidade de garantir que seus empregados estejam seguros em seu trabalho. Nestes tempos sem precedentes, a segurança dos trabalhadores precisa estar no topo da lista.”

“Para evitar mais perdas, é vital que a XPO ouça os sindicatos quanto a como implementar medidas de proteção. É também importante que uma mesma resposta à Covid-19, com base nas melhores práticas, seja padronizada em todos países onde a XPO opera. A única maneira de fazê-lo é mediante a realização de um Fórum Mundial de Saúde e Segurança no Trabalho. Esperemos que a empresa ouça este pedido e aja nesse sentido – é algo que literalmente pode salvar vidas.”

A representante da ITF para mulheres e igualdade de gênero, Jodi Evans, acrescentou que, “dado que a logística é um setor dominado pelos homens, as necessárias medidas adicionais para que os trabalhadores fiquem seguros precisam incorporar as necessidades específicas das mulheres trabalhadoras. Isto inclui representação feminina na tomada de decisão, implementação e monitoramento. As medidas devem ser aplicadas independentemente do status contratual dos trabalhadores e devem responder aos diferentes gêneros.”
 

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