Ir para o conteúdo principal

A seção dos ferroviários da ITF apoia a propriedade pública e o controle democrático das ferrovias no Reino Unido

07 Oct 2020
Em meio ao impacto persistente da pandemia de Covid-19, o governo do Reino Unido prolongou os acordos de medidas emergenciais para as ferrovias do país e anunciou o fim de todo o sistema de franquias ferroviárias.

A seção dos ferroviários da ITF apoia os pedidos dos sindicatos britânicos para que o governo vá ainda mais longe. O Reino Unido deve pôr fim à sua experiência fracassada de 26 anos com a privatização das ferrovias e estatizar todas as franquias ferroviárias de uma vez por todas.

Em muitos países, a privatização e a reestruturação do transporte ferroviário têm avançado rapidamente ao longo da última década. O resultado disso, quase sem exceção, é a deterioração das condições de trabalho relatadas pelos sindicatos de transportes em todo o mundo. As evidências mostram que a qualidade e confiabilidade dos serviços também se deterioraram. Isso ocorreu porque permitiu-se que o lucro predominasse sobre a ética fundamental do setor público de servir às necessidades da população.

Nossas experiências mostram que as consequências da privatização, liberalização e fragmentação das ferrovias são ataques a segurança, salários, condições de trabalho, pensões, acordos coletivos e responsabilização democrática das ferrovias. Isso também leva a sistemas ferroviários mais caros, menos eficientes, onde o lucro vem antes das necessidades da comunidade. O último Congresso da ITF em 2018 reafirmou o compromisso da Conferência da Seção dos Ferroviários de 2016 de acabar com a privatização e colocar as ferrovias de volta sob controle público.

David Gobé, presidente da seção de ferroviários da ITF, disse: “As ferrovias devem ser reinventadas para enfrentar os desafios do nosso século, tanto as necessidades dos passageiros, como condições de trabalho dignas do século XXI. Os trabalhadores britânicos têm o know-how e agora têm uma oportunidade única de reanimar as ferrovias do país após ter experimentado o pior da privatização. O caminho da nacionalização é óbvio, é necessário e pode ser construído envolvendo representantes políticos, sindicatos, trabalhadores e associações de empregadores.”

Redes bem planejadas, de propriedade pública, que prestem contas ao público por meio de estruturas democráticas, que ofereçam a melhor oportunidade de desenvolver e fortalecer as redes de transporte público.  A ITF também sabe que sistemas de transporte adequadamente financiados, de propriedade pública, oferecem as melhores oportunidades para boas condições e estabilidade no emprego. Somente com propriedade pública e controle democrático podem ser garantidos os benefícios econômicos, sociais e ambientais dos serviços ferroviários.

Não somos só trabalhadores em transportes – antes de tudo, somos usuários de transportes, e nossos parceiros, crianças, famílias e amigos também são. A necessidade de resgate governamental durante a crise de Covid-19 provou novamente que as empresas privadas não têm lugar no sistema ferroviário do futuro. Não podemos aceitar que os lucros das ferrovias sejam privatizados enquanto os prejuízos são nacionalizados.

Dada a natureza das ferrovias como parte importante da infraestrutura de um país e um monopólio natural, elas devem ser de propriedade e operação públicas, de forma que serviços de qualidade possam ser garantidos em tempos de crise e de calma. A finalidade deveria ser fornecer à sociedade serviços de passageiros de alta qualidade a preços acessíveis e fornecer transporte de carga rápido e eficiente para a indústria e o comércio. Um setor tão importante deve colocar as pessoas antes do lucro o tempo todo.
 

David Gobé, presidente da Seção de Ferroviários da ITF

Noel Coard, secretário das Seções de Transporte Interior da ITF

Alana Dave, diretora de Transportes Urbanos da ITF